Mushroom, Bracket and PuffballGeastrum tupiense J.O. Sousa, Freitas-Neto & Baseia, 2023 é uma espécie de estrela-da-terra avermelhada, rara e endêmica do Brasil. Conhecida de somente dois sítios e não mais que 4 coleções, de 2012 e 2014; sem outros registros de ocorrência há mais de 10 anos, mesmo considerando os esforços realizados por diferentes grupos de pesquisa nas regiões de ocorrência conhecida e potencial da espécie. Com hábito saprotrófico e habitat restrito a florestas preservadas de altitude, foi encontrada em região remanescente de Brejos de altitude e em Floresta de altitude da região serrana do Sudeste do Brasil. Os Brejos de altitude são ecossistemas sensíveis às mudanças climáticas, uma vez que as probabilidades de manutenção da fitofisionomia sob mudanças nas condições de temperatura e precipitação apontam para reduções drásticas em seu valor nominal, adicionado as várias influências antrópicas. A área da Mata Atlântica no estado de Minas Gerais encontra-se reduzida a apenas 3% de sua cobertura original e o estado de Paraíba a 12% (Capobianco, 2002). Estima-se que as florestas de altitude sejam um habitat raro, naturalmente fragmentado, representando apenas cerca de 1,2% das florestas tropicais da Américas. Embora Geastrum tupiense seja conhecida somente de dois sítios, pode ser potencialmente encontrada em até 47 outros sítios com características de Brejo de altitude e 200 sítios de Floresta de altitude, da Mata Atlântica Serrana do sudeste brasileiro (Pompeu et al., 2018; Marques et al., 2014; Tabarelli; Santos, 2004). Cada sítio pode potencialmente hospedar 10-20 indivíduos maduros, resultando em um tamanho populacional esperado de 2.500-5000 indivíduos maduros. Devido a perda esperada de habitat requerido, Geastrum tupiense deve sofrer uma redução populacional adicional de 20%, como projetado para florestas de altitude, exemplo: mata de araucária (Castro et al. 2019), nos próximos 20 anos (3 gerações), causada principalmente por degradação de habitat e impactos de mudanças climáticas. Assim a espécie foi avaliada e classificada como Vulnerável C2a(ii).
Geastrum tupiense J.O. Sousa, Freitas-Neto & Baseia (2023) é uma espécie de estrela-da-terra avermelhada, cujo epíteto foi dado em homenagem ao povo indígena Tupinambá que habitava a zona costeira do Brasil onde o fungo foi coletado.
Geastrum tupiense J.O. Sousa, Freitas-Neto & Baseia, 2023 é uma espécie de estrela-da-terra avermelhada, rara e endêmica do Brasil. Conhecida de somente dois sítios e não mais que 4 coleções, de 2012 e 2014; sem outros registros de ocorrência há mais de 10 anos.
Geastrum tupiense é uma espécie de estrela-da-terra, de serapilheira ou madeira em decomposição. É conhecida de somente duas sítios nos Estados da Paraíba e Minas Gerais. Sua ocorrência no estado de Paraíba, é do município de Areia, no Parque Estadual Mata do Pau-Ferro, em uma região de fitofisionomia remanescente de Brejo de Altitude do Nordeste, na Microrregião do Brejo Paraibano, característico por porções mais úmidas que o semiárido que o circunda, por causa do efeito orográfico nas precipitações e na redução da temperatura, entre os domínios de Mata Atlântica e Caatinga. Com altitude de 600 metros acima do nível do mar e precipitação anual é de 1400 mm. O outro registro de ocorrência, de Minas Gerais, é do município de Santa Rita do Sapucaí, na Reserva Biológica Serra de Santa Rita Mítzi Brandão, área localizada entre a borda sul do Cráton do São Francisco e o sistema Serra da Mantiqueira, no domínio dos denominados Planaltos do Sul de Minas, em região de montanhas, em florestas de altitude numa área classificada de transição entre Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista, margeada por Campo com elementos de Cerrado e Campo Graminoso. Com altitudes entre 950 e 1395 metros acima do nível do mar e precipitação anual de 1500 mm. A espécie ocorre potencialmente em outros Brejos de altitude e Florestas de altitude no domínio da Floresta Atlântica Serrana. Os Brejos de altitude do Nordeste apresentam distribuição disjunta nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco; enquanto que as florestas de altitude das Montanhas da Serra da Mantiqueira formam um mosaico, a cadeia de montanhas se estende nas bordas dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro até o estado do Espírito Santo.
A espécie é conhecida de 2 sítios e não mais que 4 coleções, as coletas são de 2012 e 2014; sem outros registros de ocorrência há mais de 10 anos, embora hajam vários grupos pesquisando macrofungos e especificamente o gênero Geastrum nas regiões onde o fungo foi encontrado. Geastrum tupiense é uma espécie semi-críptica e apesar de bem amostrada a região Neotropical, a nova espécie do gênero Geastrum foi descrita recentemente, em 2023 (Freitas Neto et al. 2023; Accioly, 2018). A distribuição da espécie é restrita a uma condição altitudinal com forte influência climática da costa Atlântica, encontrada em Brejos de altitude, considerados refúgios florestais, região que consiste em ilhas de florestas úmidas densas isoladas por áreas de vegetação aberta de Caatinga e Florestas de altitude nas montanhas da Serra da Mantiqueira na região sudeste brasileira (Freitas Neto et al., 2023; Freitas Neto, 2021).
Os Brejos de altitude são ecossistemas sensíveis às mudanças climáticas, predições para a Reserva Ecológica da Mata do Pau-Ferro é uma das piores, uma vez que as probabilidades de manutenção da fitofisionomia sob mudanças nas condições de temperatura e precipitação apontam para reduções drásticas em seu valor nominal, adicionado as várias influências antrópicas (Santos et al., 2020; Oliveira, 2017; Cabral et al., 2004). A área do Município de Areia é classificada como de Extrema importância biológica dentro das Áreas Prioritárias para a conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos (MMA, 2000).
Embora Geastrum tupiense seja conhecido somente de dois sítios, pode ser potencialmente encontrada em até 47 outros sítios com características de Brejo de altitude e 200 sítios de Floresta de altitude, da Mata Atlântica Serrana do sudeste brasileiro (Pompeu et al., 2018; Marques et al., 2014; Tabarelli; Santos, 2004). Cada sítio pode potencialmente hospedar 10-20 indivíduos maduros, resultando em um tamanho populacional esperado de de 2.500-5000 indivíduos maduros. Devido a perda esperada de habitat requerido, Geastrum tupiense deve sofrer uma redução populacional adicional de 20%, como projeto para florestas de altitude, exemplo: mata de araucária (Castro et al. 2019), nos próximos 20 anos (3 gerações), causada principalmente por degradação de habitat e impactos de mudanças climáticas.
Population Trend: Decreasing
Os espécimes de Geastrum tupiense são saprotróficos, terrestres, crescem sobre madeira e serapilheira, com hábito gregário; através de aparato enzimático decompõe madeira e liteira, principalmente em ecossistemas florestais, sendo peças-chave nos processos de ciclagem de carbono e nitrogênio (Freitas Neto, 2021). Ocorrem no Bioma de Mata Atlântica Brasileira, na Reserva Biológica Serra de Santa Rita Mítzi Brandão as formações florestais representam admiráveis remanescentes da pujante cobertura florestal da Mata Atlântica Ombrófila Densa e a ocorrência de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Kuntze, espécie classificada como Criticamente Ameaçada de extinção pela IUCN, tipifica a existência da Floresta Ombrófila Mista na região, que faz parte da Serra da Mantiqueira, região distintamente reconhecida como área relictual de distribuição de espécies durante períodos glaciais holocênicos e ocorre também no Parque da Mata do Pau-Ferro em Brejos de altitude, região de ilhas úmidas, conhecidos como Refúgio Florestais Úmidos de espécies endêmicas.
No Brasil, as florestas de altitude ou montanas distribuiem-se em diferentes faixas de altitude dependendo da latitude, formando complexos de montanhas com distintos atributos ecológicos e hidrológicos, formando regiões heterogêneas que apresentam condições de conectividade paisagística diversas (Minas Gerais, 2013; Falkenberg; Voltolini, 1995). Por representarem um ecossistema com elevada biodiversidade e confinado às áreas mais altas da paisagem apresentam pequena representatividade em termos de área ocupada no Brasil e encontram-se ameaçadas pelas ações antrópicas de desmatamento para retirada de madeira e pelo desenvolvimento da agricultura de montanhas, além de serem suscetíveis aos impactos negativos das mudanças climáticas (Meireles et al., 2025; Pompeu et al., 2018; Vilanova, 2025; Castro et al. 2019).
Na Reserva Biológica Serra de Santa Rita Mítzi Brandão as ameaças são os impactos negativos resultantes de incêndios florestais e ações antrópicas. O histórico de perturbações antrópicas pela prática da agricultura, pecuária e moradias dentro e próximo a reserva promoveu a inserção de espécies exóticas e invasoras, como a bananeira (Musa paradisiaca, Musaceae), o cafeeiro (Coffea arabica, Rubiaceae), a goiabeira (Psidium guajava, Myrtaceae), a jaqueira (Artocarpus heterophyllus, Moraceae), a mangueira (Mangifera indica, Anacardiaceae) e as ornamentais Euphorbia pulcherrima (Euphorbiaceae) e Tradescantia zebrina (Commelinaceae) (Minas Gerais, 2013). Enquanto a Serra da Mantiqueira sofre também efeitos do turismo, e pressão do crescimento urbano (Vilanova, 2025; Pompeu et al., 2018).
Os brejos de altitude tem sofrido degradação, parte da floresta nordestina, incluindo os brejos, têm sido convertida em terras agricultáveis; as reservas naturais são pequenas e mal manejadas, grande parte do que restou desta floresta (ca. 5%) é composta por arquipélagos de fragmentos florestais, a maioria deles com menos de 10 hectares de área, atualmente restam apenas 2.626 km² de área dos brejos de altitude (Braga; Pôrto, 2004; Tabarelli; Santos, 2004, Marques et al., 2014 ). Sistematicamente, os brejos têm sido convertidos em lavouras de café, banana e culturas como milho, feijão e mandioca, desde o século XIX, atividades que representam perda e fragmentação de hábitats (Tabarelli; Santos, 2004).
Os Brejos de altitude são ecossistemas sensíveis às mudanças climáticas, predições para a Reserva Ecológica da Mata do Pau-Ferro é uma das piores, uma vez que as probabilidades de manutenção da fitofisionomia sob mudanças nas condições de temperatura e precipitação apontam para reduções drásticas em seu valor nominal, adicionado as várias influências antrópicas como a presença de casas; descarte de lixo inorgânico; atividades de desmatamento, coleta de material para lenha, captura de animais silvestres e áreas de cultivo e pastagem; uso intensivo de água nos cultivares (Oliveira, 2017; Cabral et al., 2004; Santos et al., 2020).
As duas localidades de ocorrência da espécie estão em Áreas de Conservação, mas a espécie ocorre provavelmente também em áreas não protegidas. Para garantir a persistência da espécie é necessário manter as áreas de preservação existentes, investindo na melhoria da proteção dentro das Áreas de Conservação.
Ações futuras incluem a implementação de proteção e gestão de habitat noutros locais dentro da Mata Atlântica, numa tentativa de proteger os fragmentos de habitat remanescentes dos Brejos de Altitude e Florestas de altitude e potencializar a conectividade das regiões que abrigam a espécie. A diversidade genética da espécie deve ser mantida in vitro. Isso possibilitaria futuras ações de conservação ex situ.
São necessários mais trabalhos de campo e coleta de dados noutras áreas de floresta de Mata Atlântica, destacando florestas de altitude em regiões de montanha e brejos de altitude, para confirmar a distribuição e a ecologia da espécie, uma vez que a sua ocorrência pode ser mais restrita do que o esperado, dado a heterogeneidade das regiões de montanhas brasileira, devido a significante diferenças em seus atributos ecológicos e hidrológicos, e condições de conectividade paisagística. Além disso, realizar revisões e estudos taxonômicos de coleções/exsicatas e desenvolver técnicas de cultivo para melhor compreender a biologia da espécie.
Uso comercial ou doméstico desconhecido.
Castro, M. B., Barbosa, A. C. M. C., Pompeu, P. V., Eisenlohr, P. V., de Assis Pereira, G., Apgaua, D. M. G., ... & Tng, D. Y. P. (2020). Will the emblematic southern conifer Araucaria angustifolia survive to climate change in Brazil?. Biodiversity and Conservation, 29(2), 591-607.
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