Mushroom, Bracket and PuffballFomitiporia apiahyna é um fungo lignícola endêmico do Brasil, com ocorrência confirmada em regiões do Sul e Sudeste da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados e fragmentados do país. Sua distribuição conhecida abrange áreas de floresta ombrófila mista e formações associadas às províncias biogeográficas da Floresta de Araucária, Atlântica e Floresta do Paraná, todas caracterizadas por intensa pressão antrópica e substituição de cobertura vegetal.
Com base nos registros disponíveis e na degradação progressiva de seu habitat, F. apiahyna apresenta uma população estimada em cerca de 10.000 indivíduos maduros, distribuídos de forma irregular. A contínua perda de habitat e a redução da qualidade ambiental sustentam sua classificação preliminar como VU A3c+C2a(ii), seguindo os critérios da IUCN (versão 3.1).
Fomitiporia apiahyna s.s. foi circunscrita por Alves Silva et al. (2020) por meio de uma abordagem de taxonomia integrativa (i.e. a combinação de evidências morfológicas, ecológicas, biogeográficas e moleculares).
Espécimes dessa espécie foram identificados anteriormente como Fomitiporia robusta (ou Phellinus robustus), sendo compreendido hoje por abranger um grande número de espécies píleadas.
Fomitiporia apiahyna deve ser considerada para avaliação devido à sua condição de espécie endêmica da Mata Atlântica brasileira, um bioma historicamente sujeito à intensa exploração e que ainda hoje concentra alguns dos maiores adensamentos urbanos do país. Apesar de não ser classificada como rara, trata-se de uma espécie localmente escassa, cuja ocorrência é restrita a fragmentos florestais isolados.
O histórico de devastação e fragmentação dos ambientes atlânticos parece refletir-se na distribuição disjunta da espécie, indicando perda contínua de hábitat. Esses fatores, aliados à dependência de microclimas, justificam sua inclusão como Vulnerável, considerando tanto o declínio projetado na qualidade do habitat quanto o tamanho reduzido da população estimada.
Fomitiporia apiahyna é uma espécie de fungo endêmica do Brasil. A espécie se trata de um fungo lignícola, encontrado em indivíduos mortos, porém ainda em pé, de espécies de árvores inseridas nas famílias Lauraceae e Myrtaceae. Como relatam Alves-Silva et al. (2020), a espécie é restrita às regiões Sul e Sudeste do Brasil, com registros nas províncias de Floresta de Araucária, Atlântica e Floresta do Paraná (bioregionalização de acordo com Morrone et al. 2022).
Existem até o momento 67 os registros da espécie registrados na base de dados speciesLink (speciesLink.net), onde 26 foram considerados válidos a partir de revisões macromorfológicas feita por especialistas. Ao todo, os registros válidos estão distribuídos em 4 estados e 13 municípios brasileiros, sendo estes: São Paulo: Apiaí; Paraná: Guarapuava; Santa Catarina: Alfredo Wagner, Bom Jardim da Serra, Nova Trento, Santo Amaro da Imperatriz, São Bento do Sul e Urupema; Rio Grande do Sul: Cambará do Sul, Canela e São Francisco de Paula.Distribuição potencial? O que se espera? Esses estados e municípios já marcam os limites tanto ao sul quanto ao norte da distribuição potencial esperada? Precisa deixar isso claro aqui. Esse tópico deve se basear no que se espera também! Veja de B. loguerciae:
Bondarzewia loguerciae is found in the Cloud Forests of Southern Brazil, in altitudes above 1,000 m asl. It is currently known from the states of Santa Catarina (Parque Nacional de São Joaquim) and Rio Grande do Sul (Parque Nacional de Aparados da Serra and Serra Geral). *****It is expected to also be found in Paraná, São Paulo and Mina Gerais states, based on its host’s distribution in the Cloud Forests of the Araucaria Montane Forests formation of the Atlantic Forest.*******
Fomitiporia apiahyna possui 26 espécimes registrados em fungários, distribuídos em 13 sítios diferentes —estimamos aqui que a cada sítio em que ela foi/ou pode ser encontrada existam aproximadamente 22 indivíduos maduros *****Numero de sitios total (conhecido + estimado)?? É necessário que o cálculo esteja evidente (i.e., quantas coletas por sitio e quantos sitios totais para que a pop estimada faça sentido)********. Apesar de esforços amostrais contínuos na última década, a espécie parece ser escassa nos locais em que foi registrada, não sendo, porém, considerada rara. Dada essa distribuição conhecida E ESTIMADA, a dificuldade de se encontrar os basidiomas da espécie in situ (aliada a impossibilidade da identificação puramente morfológica) e inferindo outros possíveis sítios em que ela possa ocorrer com base em espécies similares (!!!!), sua população é estimada em aproximadamente 10.000 indivíduos maduros.
Visto o tempo geracional de Fomitiporia apiahyna, estimado em 30 anos para três gerações (Dahlberg & Müller, 2011), sua população reduzida e a probabilidade de perda de qualidade do habitat em que esta espécie ocorre (que é melhor discutida na seção ‘habitat e ecologia’ — ********Precisa listar aqui as principais ameaças e discorrer sobre elas: Veja Assessment de B. loguerciae*******), correlacionada à perda de indivíduos maduros, Fomitiporia apiahyna é classificada como Vulnerável (C2a(ii)).
Population Trend: Decreasing
Fomitiporia apiahyna s.s. é um fungo lignícola (i.e. causador da podridão branca) que habita árvores mortas em pé de famílias como Lauraceae e Myrtaceae, entre outras angiospermas não identificadas, nas províncias Atlântica, de Floresta de Araucária e Floresta do Paraná (Morrone et al. 2022) a altitudes entre 840–1417 m.s.n.m nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seu tempo geracional é estimado em 30 anos (Dahlberg & Müller, 2011).
A espécie foi encontrada em áreas com diferentes níveis de preservação e sua distribuição aparenta ser disjunta justamente devido a fragmentação entre essas diferentes áreas, o que pode implicar um declínio contínuo na extensão e qualidade do habitat e, consequentemente, no número de indivíduos maduros, algo que será abordado em mais detalhes na seção de ameaças.
As biorregiões onde Fomitiporia apiahyna é encontrada integram o Sul e Sudeste da Mata Atlântica, com especial destaque para as Florestas de Araucária. Considerando que F. apiahyna ocorre majoritariamente em ambientes associados a Araucaria angustifolia, estima-se que, em um cenário realístico de aumento de temperatura, haja uma perda de 1,2% de área de hábitat ao ano (Castro et al. 2019). Assumindo que os requisitos climáticos dessas duas espécies sejam similares e, ainda que não sejam, considerando que A. angustifolia é uma espécie pioneira e planta-mãe de diversas sementes de espécies nativas (Tagliari et al. 2021), em 30 anos (três gerações para F. apiahyna), haverão sido perdidos 36% de perda de área de hábitat potencial em três gerações.
Além disso, Fomitiporia apiahyna foi encontrada em áreas com diferentes níveis de conservação, desde parques urbanos à parques nacionais. Entre elas, as pressões em relação ao uso e cobertura da terra (e.g. demora para a regularização fundiária, uso do fogo, pastoreio, agricultura, introdução de espécies exóticas invasoras) no entorno e em áreas internas ao Parna de São Joaquim e a FLONA São Francisco de Paula preocupam os gestores dessas áreas (Parna de São Joaquim, FLONA São Francisco de Paula ******ISso são referências?******). Essas duas Unidades de Conservação são exemplos no abrigo e refúgio de espécies endêmicas e ameaçadas (conhecidas e desconhecidas) da flora, da fauna e da funga brasileiras.
A conservação de Fomitiporia apiahyna demanda ações integradas voltadas à proteção de seus hábitats, monitoramento populacional e inclusão da espécie em políticas públicas recentes que abrangem a funga brasileira. Drechsler-Santos et al. (2025) relataram a importância do Decreto Federal nº 12.137/2024 nesse sentido. Ele reconhece formalmente os fungos na agenda nacional de biodiversidade, possibilitando a incorporação de espécies como F. apiahyna nos programas conduzidos pelo Centro Nacional de Conservação da Flora e Funga, sediado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Atualmente, os registros da espécie estão concentrados em áreas legalmente protegidas, mas a fragmentação desses ambientes ainda representa uma ameaça significativa (Tagliari et al. 2021). Dessa forma, recomenda-se que F. apiahyna seja incluída nos planos de manejo das unidades onde ocorre, com ênfase na preservação de troncos mortos e árvores em decomposição, substrato essencial ao seu desenvolvimento.
Ações prioritárias para a conservação da espécie incluem: (i) realizar o mapeamento e georreferenciamento das populações conhecidas, com uso de inventários micológicos padronizados e análises de DNA ambiental; (ii) monitorar as populações a longo prazo para avaliar tendências populacionais e efeitos de mudanças climáticas sobre os ambientes de ocorrência; (iii) realizar a formação e capacitação de gestores ambientais sobre o papel ecológico de fungos lignícolas e sua importância na ciclagem de nutrientes; (iv) ampliar as coletas e expedições micológicas nas províncias Atlântica, de Floresta de Araucária e Floresta do Paraná, visando reduzir lacunas de amostragem; (v) criar ou alimentar coleções ex situ e bancos de esporos que assegurem a conservação genética da espécie.
Além disso, é recomendada a inclusão de F. apiahyna na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Clima (MMA) e pelo CNCFlora, bem como sua inserção em Planos de Ação Territorial (PATs) que abranjam a Mata Atlântica como bem ilustraram Drechsler-Santos et al. (2025).
Alves-Silva et al (2020) discutem que a espécie é localmente escassa, apesar dos esforços amostrais na busca por espécimes. Embora Fomitiporia apiahyna apresente registros em diferentes localidades do Sul e Sudeste do Brasil, ainda existem lacunas significativas de conhecimento sobre sua ecologia, distribuição real e dinâmica populacional. A escassez de coletas recentes e a dificuldade de identificação morfológica —devido à semelhança com espécies próximas do complexo F. apiahyna s.l. (Alves-Silva et al. 2020)— reforçam a necessidade de ampliar os esforços de campo e integrar abordagens moleculares nas investigações futuras.
As pesquisas devem priorizar quatro aspectos essenciais para um mais profundo conhecimento da espécie: (i) atualizar a distribuição geográfica da espécie, com base em amostragens em áreas ainda não exploradas, especialmente nas províncias Atlântica e de Floresta de Araucária; (ii) ampliar as análises filogenéticas, visando reconhecer possíveis barreiras à dispersão; (iii) definir parâmetros ecológicos essenciais, como taxa de crescimento e relação com hospedeiros específicos, visando refinar nosso conhecimento acerca do tempo geracional; e (iv) modelar os nichos ecológicos da espécie sob diferentes cenários de mudança climática ou de uso da terra, permitindo prever áreas vulneráveis ou possíveis refúgios climáticos.
Nenhum uso conhecido.
ABDALA-DÍAZ, Roberto T.; CASAS-ARROJO, Virginia; CASTRO-VARELA, Pablo; et al. Immunomodulatory, Antioxidant, and Potential Anticancer Activity of the Polysaccharides of the Fungus Fomitiporia chilensis. Molecules, v. 29, n. 15, p. 3628, 2024.
ALVES-SILVA, Genivaldo; RECK, Mateus Arduvino; DA SILVEIRA, Rosa Mara Borges; et al. The Neotropical Fomitiporia (Hymenochaetales, Basidiomycota): the redefinition of F. apiahyna s.s. allows revealing a high hidden species diversity. Mycological Progress, v. 19, n. 8, p. 769–790, 2020.
CASTRO, Monik Begname; BARBOSA, Ana Carolina Maioli Campos; POMPEU, Patrícia Vieira; et al. Will the emblematic southern conifer Araucaria angustifolia survive to climate change in Brazil? Biodiversity and Conservation, v. 29, n. 2, p. 591–607, 2020.
FERREIRA, LOURDES M. ET AL. (ORGS). Plano de Manejo do Parque Nacional de São Joaquim. Brasília: ICMBio, 2018. Disponível em:
.
IUCN. IUCN RED LIST CATEGORIES AND CRITERIA. Second edition. Switzerland and Cambridge: [s.n.], 2012. Version 3.1v.
MORRONE, Juan J.; ESCALANTE, Tania; RODRÍGUEZ-TAPIA, Gerardo; et al. Biogeographic regionalization of the Neotropical region: New map and shapefile. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 94, n. 1, p. e20211167, 2022.
TAGLIARI, Mario M.; VIEILLEDENT, Ghislain; ALVES, Jonatas; et al. Relict populations of Araucaria angustifolia will be isolated, poorly protected, and unconnected under climate and land-use change in Brazil. Biodiversity and Conservation, v. 30, n. 12, p. 3665–3684, 2021.
speciesLink network, 30-Out-2025 13:59. Disponível em:
.
SOUZA, Edenice B.A. et al. Plano de Manejo da Floresta Nacional de São Francisco de Paula. [s.l.]: ICMBio, 2020. Disponível em:
.
| Country | Trend | Redlisted |
|---|