LichensParmotrema confugum ocorre somente em duas localidades até o momento, Chapada dos Guimarães, MT e Morraria do Urucum (distantes mais de 500 Km entre si) em áreas florestadas e de altitude (400-600m) no Cerrado e Pantanal. Apesar dessas regiões terem esforços amostrais significativos ao longo das últimas décadas, não foram reportados novos registros da espécie para o local. Isso demonstra que a espécie requer condições muito específicas para seu desenvolvimento ao longo de sua área de ocorrência, podendo, inclusive, ser considerada rara. A mineração, o fogo recorrente e as mudanças climáticas exercem pressões sobre a população da espécie. De acordo com suas características fenológicas, o tempo geracional da espécie pode variar de 13 a 50 anos (Yahr et al., 2024), e se espera não encontrar mais do que 20 indivíduos maduros por sítio. Devido às características do habitat (ilhas florestadas com afloramentos rochosos em altitude), também não se espera a existência de mais de 50 sítios ao longo de sua distribuição conhecida e potencial, estimando-se uma população total não superior a 1.000 indivíduos maduros. Diante das ameaças reconhecidas, de sua distribuição natural fragmentada e de seus requisitos ambientais únicos, é possível constatar um declínio populacional contínuo (Marengo et al., 2021). Portanto, Parmotrema confusum é avaliada como Em Perigo sob o subcritério C2a(ii).
Parmotrema confusum Hale, Bibliotheca lichenologica 38: 113, 1990. A espécie foi descrita por Lynge (1914) como Parmelia lattissima var. minima a partir de um espécime coletado por G.O.A. Malme em Buriti, na Chapada dos Guimarães, MT, Brasil em 1894. Hale (1990) elevou o táxon para o nível de espécie, propondo o nome novo Parmotrema confusum.
A espécie ocorre em duas localidades até o momento, Chapada dos Guimarães, MT (localidade do tipo com apenas uma coleta realizada em 1894), e Morraria do Urucum, Corumbá/MS (com os registros de ocorrência mais recentes). A região da Chapada dos Guimarães é uma localidade visitada por liquenólogos há bastante tempo, como G.O.A. Malme no final do século XIX e início do século XX, K. Kalb e M. Marcelli no final do século XX, e recentemente A. Aptroot (Aptroot & Souza 2021). Apesar dessas expedições, não foram reportados novos registros de Parmotrema confusum para o local. Embora existam poucos registros em apenas 2 sítios distantes mais de 500 Km entre si, é esperado que essa espécie corticícola ocorra em ilhas florestadas (floresta estacional semidecídua e decidual, nas encostas e os campos de altitude, 400-600m) nas áreas mais altas do domínio fitogeográfico do Pantanal. A localidade do tipo se caracteriza por cerrado sensu stricto, com altitude aproximada dos 600m, assim também é esperado que existam ambientes propício a existência da espécie ao longo do domínio fitogeográfico do Cerrado com essas características.
Parmotrema confusum foi registrada em apenas dois sítios (na localidade-tipo de Chapada dos Guimarães, MT, e na Morraria do Urucum, Corumbá, MS) nos 130 anos decorridos desde a sua primeira coleta, em 1894. Da localidade-tipo, conhece-se apenas uma amostra: o holótipo. Já na Morraria do Urucum, foram coletados 13 talos como amostras independentes em 2010 (Canêz et al., 2022). Ambas as áreas — entre outras com as mesmas características nos domínios fitogeográficos do Cerrado e do Pantanal — são recorrentemente visitadas por liquenólogos. Apesar de ser uma espécie com talo conspícuo, não foram encontrados novos registros. Isso demonstra que a espécie requer condições muito específicas para seu desenvolvimento ao longo de sua área de ocorrência, podendo, inclusive, ser considerada rara. Adicionalmente, esses ambientes sofrem ameaças reais, como a mineração, o fogo recorrente e as mudanças climáticas. Ou seja, a espécie, que naturalmente já possui uma distribuição fragmentada e descontínua, pode estar enfrentando uma forte pressão para sua sobrevivência. De acordo com suas características fenológicas, o tempo geracional da espécie pode variar de 13 a 50 anos (Yahr et al., 2024). Considerando sua conspicuidade, o esforço amostral e o fato de terem sido coletadas somente 14 amostras nos dois sítios conhecidos, não se espera encontrar mais do que 20 indivíduos maduros por sítio. Devido às características do habitat (ilhas florestadas com afloramentos rochosos em altitude), também não se espera a existência de mais de 50 sítios ao longo de sua distribuição conhecida e potencial, estimando-se uma população total não superior a 1.000 indivíduos maduros. Diante das ameaças reconhecidas, de sua distribuição natural fragmentada e de seus requisitos ambientais únicos, é possível constatar um declínio populacional contínuo (Marengo et al., 2021).
Population Trend: Decreasing
Parmotrema confusum é uma espécie corticícola. As coletas foram realizadas em áreas dentro do Cerrado e borda do Pantanal, em áreas florestas de altitude (400-600m) que estão distribuídas de maneira esparsa ao longo de ambos biomas. A espécie não é efêmera, é de hábito folioso e conspícua na natureza, e assim como outros liquens apresenta uma taxa de crescimento muito menor que outros fungos não liquenizados (Yahr et al. 2024).
Esta espécie está sob ameaça de perda de hábitat devido à intensos incêndios que atingem o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e áreas adjacentes, enquanto a Morraria do Urucum sofre com atividades de mineração para a extração de Ferro e Manganês. A espécie é rara e apresenta distribuição disjunta, tendo toda sua população conhecida em apenas duas localidades. Incêndios e mineração são fatores que reduzem seu hábitat e, consequentemente, a quantidade de indivíduos. Adicionalmente, os impactos causados pelas mudanças climáticas atuarão de maneira sinérgica com as pressões atuais.
Para a conservação da espécie será necessária a criação de unidades de conservação próximas da Morraria do Urucum onde a espécie foi registrada pela última vez e a supervisão e diminuição das atividades mineradoras na Morraria do Urucum. Ainda, indica-se que seja feito o Manejo Integrado do Fogo na região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães a fim de evitar a destruição dos poucos hábitats da espécie. Faz-se necessário também a inclusão da espécie na lista nacional das espécies de fungos ameaçadas de extinção.
Para entender a distribuição e ocorrência da espécie em outras áreas de cerrado e pantanal, são necessárias mais excursões em hábitats semelhantes aqueles onde a espécie já foi encontrada buscando ampliar os estudos populacionais. Além disso, novas buscas precisam ser feitas em Corumbá e arredores, assim como novas visitas exploratórias na Chapada dos Guimarães, buscando assegurar dados mais completos de distribuição, abundância e especificidade com o substrato.
Não há uso conhecido.
NATURAL HISTORY MUSEUM (Sweden). Specimen L1125 – Parmotrema confusum. Disponível em:https://herbarium.nrm.se/specimens/L1125
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